terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quero ser santo ou herói?

Talvez você imagine um cenário fictício e cheio de magia pra esse texto, acrescido de pessoas belas, perfeitas e super poderosas como atores principais ou já deixou-se questionar por Deus quando leu o título. Lhe apresento outro cenário:

“Junto a cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.” ( Jo 19, 25)



Aqui neste trecho está o maior Herói da história humana, aquele que atraiu mesmo se aniquilando, e aqueles que foram salvos por ele e hoje são lembrados porque permaneceram com ele mesmo quando aparentemente ele foi mais um fracassado que um cobiçado ícone de propaganda de TV.


O herói precisa de máscaras e foge da multidão, tendo que se esconder para “aqueles” momentos em que ele mais se demonstra todo poderoso, do que ajuda de fato. O Santo não, esse é aquele que está sempre presente com virtudes e limitações e demonstra que o seu poder vem de Deus, seu diferencial é Deus e não super poderes que só ele tem.


Com quem você se identifica?


Se você sabe o que quer e luta por isso já percebeu que as maiores metas te exigem esforço e perseverança. No caminho você encontra gente com vontade fraca que se contenta com pouco. Veja bem, a sociedade exige de você o perfeccionismo, mas Deus deseja que você seja santo pela força do amor e NÃO pelo esforço do diploma; pela graça, NÃO pelo reconhecimento coletivo ou na luta contra o tempo sem respeitar as limitações q a sua condição humana lhe implicam, pelo poder salvador do sacrifício da cruz, NÃO por falta de pecados ou fraquezas. Seja sábio, seja humano, NÃO queira ser o que você não é chamado a ser pelo amor.


A fragilidade do homem está em colocar-se no centro e querer exclusividade. Nos seus relacionamentos, escolher aqueles que sentarão a sua mesa ou participarão do seu convívio, mas saiba, com Deus não se bloqueia no msn ou exclui no Orkut se o alvo é o céu. Jesus fez a opção de estar com os mais fracos se fazendo um com eles, isso é Santidade, não heroísmo. Opção amorosa, livre e libertadora para o homem.


Descubra o por que custou tanto a Jesus a salvação do homem lhe imitando a atitude de perdoar a quem for e não eliminar o outro como se elimina um contato virtual ou um objeto que não lhe trás mais utilidade ou glória. Se você não quer ser herói será santo, e o será usando o “poder” do perdão. Quem maior que Deus pode lhe dar um objetivo mais alcançável e cheio de sentido hoje?


O esconderijo do Santo é o coração de Jesus, ele é formado e tem seu poder na intimidade com aquele que venceu a morte e hoje ressuscitado nos encoraja a dar a vida pelo outro.


Decida-se pela santidade. Deus já se decidiu por você e provou que seu amor é capaz e capacitador. Nos encontramos na caminhada ruma a santidade jovem.


Unidos na oração.
Robson Ferreira
Totus Tuus

sábado, 8 de janeiro de 2011

Estamos com a Igreja, que tem a Eucaristia



A Igreja é apostólica porque vem dos apóstolos: é a continuação deles. Ela traz a sucessão apostólica. Os nossos bispos não se tornaram bispos porque quiseram, por própria vontade, como acontece em outras igrejas, denominações e seitas. O bispo de sua diocese é um sucessor dos apóstolos. A Igreja Católica conserva a sucessão apostólica. Desculpe a rudeza da expressão: os nossos bispos não são aventureiros que lançaram mão do título de bispo, mas eles foram escolhidos por aquela que Jesus chamou “a minha Igreja” para realizar a sucessão apostólica. É um tesouro que nos pertence: só a Igreja Católica tem a sucessão apostólica. Por isso ela é “apostólica”.



É com essa Igreja una, santa, católica e apostólica que estamos. Com a Igreja que Jesus fundou em Pedro, dizendo: “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja”.

É importante que você renove a fé nessa Igreja, agora:

É com essa Igreja que quero ficar; essa Igreja que tem a Eucaristia, que tem a sucessão dos apóstolos, e que, portanto, tem a doutrina de Jesus que foi passada por intermédio deles, dos bispos, e por meio daquele que é o continuador de Pedro, o Papa. Creio nessa Igreja una, santa, católica e apostólica. Agradeço, Senhor, porque construíste a Tua Igreja sobre a pedra, que é Pedro e sobre as doze pedras que são os Teus apóstolos. Muito obrigado, Senhor, porque é nessa Igreja que estou e haverei de estar até o fim. Amém!

Deus abençoe você!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Comunhão, na mão ou na boca?

 
A dúvida que muitos levam consigo


Nos dias de hoje o mais comum na hora da Comunhão é os fiéis receberem a Hóstia Consagrada na palma de suas mãos para que eles mesmos possam levá-la à boca. Mas, isso se começarmos a reparar bem muitos fiéis não tem o devido respeito com o Corpo e Sangue de Cristo. Pois, segundo o Missal Romano: “Os fiéis comungam ajoelhados ou de pé, conforme for estabelecido pela Conferência dos Bispos. Se, no entanto, comungarem de pé, recomenda-se que, antes de receberem o Sacramento, façam devida reverência, a ser estabelecida pelas mesmas normas”. E ainda no documento da CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - PASTORAL DA EUCARISTIA - SUBSÍDIOS - (PARTE I), Documento Aprovado pela Comissão Episcopal de Pastoral - 3 de setembro de 1974 está escrito: "É também inconveniente que os fiéis tomem a hóstia com os dedos em pinça e, andando, a coloquem na boca". É isso o que mais se vêem nas missas na hora da comunhão, pessoas recebendo de qualquer maneira o próprio Cristo em suas mãos como se fosse qualquer um e ainda mais quando vêem uma pessoa comungando na boca ficam escandalizadas.

A comunhão na mão é OPCIONAL, como esclarece os documentos:

Missal Romano: “161. Se a Comunhão é dada sob a espécie do pão somente, o sacerdote mostra a cada um a hóstia um pouco elevada, dizendo: O Corpo de Cristo. Quem vai comungar responde: Amém recebe o Sacramento, na boca ou, onde for concedido, na mão, à sua livre escolha. O comungante, assim que recebe a santa hóstia, consome-a inteiramente.”.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL - PASTORAL DA EUCARISTIA - SUBSÍDIOS - (PARTE I): “2. A nova maneira de comungar não deve ser imposta, mas cada fiel conserve o direito de receber a comunhão na boca, sempre que preferir.”.

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS - REDEMPTIONIS SACRAMENTUM: ““ [92.] Todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na boca[178] ou se, o que vai comungar, quer receber na mão o Sacramento. Nos lugares aonde Conferência de Bispos o haja permitido, com a confirmação da Sé apostólica, deve-se lhe administrar a sagrada hóstia. Sem dúvida, ponha-se especial cuidado em que o comungante consuma imediatamente a hóstia, na frente do ministro, e ninguém se desloque (retorne) tendo na mão as espécies eucarísticas. Se existe perigo de profanação, não se distribua aos fiéis a Comunhão na mão.

Mas muitos Sacerdotes e Ministros Extraordinários que não conhecem as leis e direitos da Mãe Igreja costumam negar a Comunhão aos fieis pelo simples fatos de muitos quererem receber o Sacramento da Comunhão na boca e de joelhos. Por conseguinte, qualquer batizado católico, a quem o direito não o proíba, deve ser admitido à sagrada Comunhão. Assim, pois, não é lícito negar a sagrada Comunhão a um fiel, por exemplo, só pelo fato de querer receber a Eucaristia ajoelhado ou de pé. ”

CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS - REDEMPTIONIS SACRAMENTUM: “[91.] Na distribuição da sagrada Comunhão se deve recordar que «os ministros sagrados não podem negar os sacramentos a quem os pedem de modo oportuno, e estejam bem dispostos e que não lhes seja proibido o direito de receber”“.

Não quero aqui impor que todos nós devemos comungar na boca. Não é isso. O que quero é mostrar que o fiel tem a livre opção de escolher como ele quer comungar, se na boca e de joelhos ou em pé e receber a Hóstia Consagrada nas mãos (vale lembrar e esta opção tem que ser aceita pelo bispo da diocese, pois a licença para os bispos do Brasil pusessem distribuir a Hóstia Consagrada nas mãos saiu em 1974 sem de livre escolha para cada Bispo. ). E que ao Comungar, a faça-o com o maior zelo.

E se você ver alguém, sacerdote, ministro extraordinário, fieis discriminando alguém por estar comungando na boca, ou se você mesmo é vitima disto, apresente a eles estes documentos da igreja, pois você também tem o direito e dever de Evangelizar.

Pax et Bonum irmãos

Daniel Roberto
Totus Tuus

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Minha vida por Cristo



Quando penso no mundo,

que se desvanece e morre

pela falta de Cristo;

Quando penso no caos profundo

em que se despenca

a inquieta e cega humanidade

pela falta de Cristo;

Quando me encontro

com a força da juventude

apática e destroçada

na própria primavera da vida

pela falta de Cristo,

não posso sufocar as queixas

de meu coração.

Quisera multiplicar-me, dividir-me,

para escrever, pregar,

ensinar Cristo.

E do espírito mesmo do meu espírito

brota contundente e único grito:

Minha vida por Cristo!

JOÃO PAULO II

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Aviso Prévio



“... se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação.” ( Eclo 2, 1 )




Calma! Talvez ao ler o título deste texto você imaginou um tema diferente que abordaremos aqui hoje. Não nos deteremos aqui sobre as normas da CLT, e muito menos falaremos do desemprego, apresentando a VC números e estatísticas.

Somos hoje pré-avisados pela palavra de Deus, sempre nova e eficaz, a permanecer e permanecer firme, em preparação a nossa amiga provação. Posso chamá-la assim? Não?! Pois abra teus olhos e ouvidos: ela virá! Por isso faça a amizade com ela, e que ela não te esmague ou te encontre medroso atrás da porta ou debaixo da mesa. Ou seja, pode vir chumbo, mas confiando na graça prosseguiremos sempre.
Para realizar a vontade de Deus é preciso passar pela prova. São as tempestades que fortalecem as raízes das árvores em tempos chuvosos e escuros, e são as provações que provam o homem e suas decisões, fazendo-o forte e privando-o da auto piedade ensinando a cada dia: A cruz não assusta, antes redime.

Fica firme!

Quem disse ou digitou que a vontade de Deus acontece por si só, ou que a veremos passando quando estivermos em nossa sacada ao observar a rua num belo dia de sol? A vontade de Deus não se realiza sozinha, e detalhe, sabemos que é a melhor coisa que poderá nos acontecer, mas não será a mais fácil.
Decida-se por Cristo e não queira um evangelho fácil.

Ao contemplar Jesus crucificado em oração Santo Ambrósio dizia:
“Belas feridas de amor que são preferíveis aos beijos.”


A nossa decisão deve ser sustentada com os meios que Deus nos dá. Rezar o Rosário, ir a Santa Missa todos os dias, fazer penitência (ainda existem pessoas que o fazem), não é luxo de poucos! É graça, mas a graça que encontrou no homem abertura, pois sem a decisão de corresponder á graça de Deus não sairemos do lugar.

Por fim, o Senhor lhe faz um apelo hoje de fidelidade. Jesus te chama à oração e você pode ser fiel HOJE, aposte na palavra de Jesus, confie em sua misericórdia e sê firme. Sem a oração não se vai para frente, e sem a provação não teremos fôlego nos tempos de luta e combate. 

Robson Ferreira
Totus Tuus

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Família Perfeita


A família perfeita é aquela que não desiste de caminhar, de construir e restaurar o seu lar. A família é igual a uma casa em reformas, é o maior transtorno, às vezes, poeira, entulho, tudo que uma construção pode trazer, penso que você consegue imaginar. Mas esse retrato de uma casa em construção demonstra que ninguém está parado em si, ou acha que já está pronto, apesar dos incômodos está em construção, em reforma, em restauração, ninguém restaura um bem se ele não for muito precioso, e isso é um sinal muito positivo. Quem já não leu este aviso em construções públicas: “desculpe o transtorno estamos em construção, para lhe atender melhor”.

Primeira coisa que precisamos notar, é que em casa ninguém é igual, e estamos em níveis de maturidade diferentes. Os pais têm mais experiência, mas entre eles há diferenças. Os filhos estão crescendo, sendo construídos em todos os sentidos, no físico, no psicológico e no espiritual. Aqui entra em ação o material para construir cada um que se chama respeito e paciência com o processo do outro. Por isso, a família precisa ser o ambiente propício para as mudanças, para o crescimento e até para as crises. Ninguém deve ter vergonha de ser o que é, e está como está em casa. Em minha opinião, existem alguns pontos primordiais para construir e restaurar a família:


1º Restaurar o relacionamento com Deus: a base do sacramento do matrimonio é o amor, sem fazer a experiência de Deus é impossível amar de verdade. O amor real muitas vezes passa pela experiência da morte, do aniquilamento, do esquecer-se de si mesmo; e isso, sem Deus, é impossível superar. Mas é preciso respeitar a experiência religiosa de cada um, saber que ela também é individual, mas que dá para fazer um caminho para Deus, JUNTOS!

2º Fazer da minha casa um ninho de amor: na minha casa eu decido amar primeiro, o processo começa em mim, e eu não posso cobrar aquilo que eu ainda não consigo dar. Procurar defeitos nos outros, culpados, não resolver as situações de tensão ou dificuldades vividas em casa, faz dela um inferno e não um pedaço do céu. Eu preciso sentir o desejo de voltar para casa, ela precisa ser o meu refúgio, meu oásis no meio do deserto. Casa, família, precisa me atrair, significa porto seguro, lugar onde não importa a minha condição: EU SEI QUE SOU AMADO.

3º Partilha e diálogo: isso quer dizer, onde todos crescem no conhecimento de si e dos outros. A falta de diálogo e partilha deixa crescer dentro dos membros da família os venenos que a podem destruir. Os ressentimentos e as magoas, a falta de perdão e o medo de se revelar. Dentro de casa precisa se promover um clima de confiança e aceitação do outro, eu preciso me sentir acolhido para partilhar a minha verdade. Outro dia ouvir a experiência de um movimento que se chama Equipes de Nossa Senhora, que trabalha com casais. Eles têm uma prática que se chama direito de sentar-se. Sentar-se à cadeira, sentar-se à mesa, para falar e ouvir tudo que o outro precisa disser. ISSO É CARIDADE.

Nós não podemos esquecer que cada um tem a sua parte essencial e importante na construção da família, os pais têm seu papel de pilar de sustentação e construção da casa, mas os filhos dão sentido, vigor e alegria aos pais. E assim vamos construindo famílias restauradas.

Oração

Pai santo, Pai amado, a restauração da minha família depende da minha participação ativa e consciente. Do meu amor e compreensão, respeito e paciência com o processo dos meus pais e irmãos, por isso, que eu não sonegue amor e verdade, perdão e misericórdia para com os meus, que esse processo comece em mim primeiro, eu decido amar primeiro em minha família e colaborar com a restauração do santuário da vida, que é minha casa. Amém.

Minha benção fraterna.

Pe Luizinho,
Canção Nova.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Como você corrige as pessoas?

O que não se pode fazer por amor, não se obtém por outros meios



Como você corrige seu filho, seu esposo, sua esposa, seu empregado, seu colega, seu subordinado de modo geral? É um dever e uma necessidade corrigir aqueles a quem amamos, mas isso precisa ser feito de maneira correta. Toda autoridade vem de Deus e em Seu nome deve ser exercida; por isso, com muito jeito e cautela.

Não é fácil corrigir uma pessoa que erra; apontar o dedo para alguém e dizer-lhe: "Você errou!", dói no ego da pessoa; e se a correção não for feita de modo correto pode gerar efeito contrário. Se esta for feita inadequadamente pode piorar o estado da pessoa e gerar nela humilhação e revolta. Nunca se pode, por exemplo, corrigir alguém na frente de outras pessoas, isso o deixa humilhado, ofendido e, muitas vezes, com ódio de quem o corrigiu. E, lamentavelmente, isso é muito comum, especialmente por parte de pessoas que têm um temperamento intempestivo (conhecidas como "pavio curto") e que agem de maneira impulsiva. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado, porque, às vezes, querendo queimar etapas, acabam queimando pessoas. Ofendem a muitos.

Quem erra precisa ser corrigido, para seu bem, mas com elegância e amor. Há pais que subestimam os filhos e os tratam com desdém, desprezo. Alguns, ao corrigi-los, o fazem com grosseria, utilizando palavras ofensivas e marcantes. O pior de tudo é quando chamam a atenção dos filhos na presença de outras pessoas, irmãos ou amigos, até do (a) namorado (a). Isso os humilha e os faz odiar o pai e a mãe. Como é que esse (a) filho (a), depois, vai ouvir os conselhos desses pais? O mesmo se dá com quem corrige um empregado ou subordinado na frente dos outros. É um desastre humano!

Gostaria de apontar aqui três exigências para corrigir bem uma pessoa:

Nunca corrigir na frente dos outros.

Ao corrigir alguém, deve-se chamá-lo a sós, fechar a porta da sala ou do quarto, e conversar com firmeza, mas com polidez, sem gritos, ofensas e ameaças, pois este não é o caminho do amor. Não se pode humilhar a pessoa. Mesmo a criança pequena deve ser corrigida a sós para que não se sinta humilhada na frente dos irmãos ou amigos. Se for adulto, isso é mais importante ainda. Como é lamentável os pais ou patrões que gritam corrigindo seus filhos ou empregados na frente dos outros! Escolha um lugar adequado para corrigir a pessoa.

Gostaria de lembrar que a Igreja, como boa Mãe, garante-nos o sigilo da Confissão, de maneira extrema. Se o sacerdote revelar nosso pecado a alguém, ele pode ser punido com a pena máxima que a instituição criada por Cristo pode aplicar: a excomunhão. Isso para proteger a nossa intimidade e não permitir que a revelação de nossos erros nos humilhe. E nós? Como fazemos com os outros? Só o fato de você dar a privacidade à pessoa a ser corrigida, ao chamá-la a sós, ela já estará mais bem preparada para a correção a receber, sem odiá-lo.

Escolha o momento certo.


Não se pode chamar a atenção de alguém no momento em que a pessoa errada está cansada, nervosa ou indisposta. Espere o melhor momento, quando ela estiver calma. Os impulsivos e coléricos precisam se policiar muito nesses momentos porque provocam tragédias no relacionamento. Com o sangue quente derramam a bílis – às vezes mesmo com palavras suaves – sobre aquele que errou e provocam no interior deste uma ferida difícil de cicatrizar. Pessoas assim acabam ficando malvistas no seu meio. Pais e patrões não podem corrigir os filhos e subordinados dessa forma, gritando e ofendendo por causa do sangue quente. Espere, se eduque, conte até 10 dez, vá para fora, saia por um tempo da presença do que errou; não se lance afoito sobre o celular para o repreender “agora”. Repito: a correção não pode deixar de ser feita; a punição pode ser dada, mas tudo com jeito, com galhardia. Estamos tratando com gente e não com gado.

Use palavras corretas.

Muitas vezes, um "sim" dito de maneira errada é pior do que um "não" dito com jeito. Antes de corrigir alguém, saiba ouvi-lo no que errou; dê-lhe o direito de expor com detalhes e com tempo o que fez de errado, e por que fez aquilo errado. É comum que o pai, o patrão, o amigo, o colega, precipitados, cometam um grave erro e injustiça com o outro. O problema não é a correção a aplicar, mas o jeito de falar, sem ofender, sem magoar, sem humilhar, sem ferir a alma.

Eu era professor em uma faculdade, e um dos alunos veio me dizer que perdeu uma das provas e que não podia trazer atestado médico para justificar sua falta. Ter que fazer uma prova de segunda chamada, apenas para um aluno, me irritava. Então, eu lhe disse que não lhe daria outra prova. Quando ele insistiu, fui grosseiro com ele, até que ele pôde se explicar: "Professor, é que eu uso um olho de vidro e, no dia da sua prova, o meu olho de vidro caiu na pia e se quebrou; por isso eu não pude fazê-la". Fiquei com "cara de tacho" e lhe pedi mil desculpas.
Nunca me esqueci de uma correção que o meu pai nos deu quando meus oito irmãos e eu éramos ainda pequenos. De vez em quando nós nos escondíamos para fumar longe dele. Nossa casa tinha um quintal grande e um pequeno quarto no fundo; lá nós nos reuníamos para fumar.

Um dia, nosso pai nos pegou fumando; foi um desespero… Eu achei que ele fosse dar uma surra em cada um de nós; mas não, me lembro exatamente até hoje, depois de quase cinquenta anos, da bela lição que ele nos deu. Lembro-me bem: nos reuniu no meio do quintal, em círculo, depois pediu que lhe déssemos um cigarro; ele o pegou, acendeu-o, deu uma tragada e soprou a fumaça na unha do dedo polegar, fazendo pressão, com a boca quase fechada.

Em seguida, mostrou a cada um de nós a sua unha amarelada pela nicotina do cigarro. E começou perguntando: "Vocês sabem o que é isso amarelo? É veneno; é nicotina; isso vai para o pulmão de vocês e faz muito mal para a saúde. É isso que vocês querem?" Em seguida ele não disse mais nada; apenas disse que ele fumava quando era jovem, mas que deixou de fazê-lo para que nós não aprendêssemos algo errado com ele. Assim terminou a lição; não bateu em ninguém nem xingou ninguém; fomos embora. Hoje nenhum de meus irmãos fuma; e eu nunca me esqueci dessa lição. São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que "o que não se pode fazer por amor, não deve ser feito de outro jeito, porque não dá resultado". E se você magoou alguém corrigindo-o grosseiramente, peça-lhe perdão logo; é um dever de consciência.

Felipe Aquino

felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br